quarta-feira, 30 de maio de 2012

Chegada da primeira filha

Depois de quase três anos de casados e aproveitado bem a vida a dois, resolvemos que era chegado a hora de começar a pensar em filhos;  No início de 1970 soubemos da gravidez da Ida, porém não anunciamos de imediato e ela continuou trabalhando no emprego dela e somente no quinto mês de gravidez , quando começou a ser perceptível , foi que as famílias foram notificadas .

Foi de uma alegria geral , pelo fato de ser a primeira, tanto da família da Ida quanto da minha; A rotina não mudou, mas a expectativa pela vinda da primeira criança sim; Conforme a data da previsão de nascimento aproximava , íamos nos preparando o enxoval, berço e tudo o mais necessários.

A rotina de trabalho no meu emprego continuava tranquilo , porém intenso com muitas horas extras e como já relatei antes , não me sentia nem um pouco cansado ou estressado pelo fato de gostar demais de mecânica. A Ford já tinha lançado o Aero Willys 2600, o Itamaraty , o Corcel  e antes já tinha a Rural e o Galaxis ; Projetos e trabalhos não faltavam e sempre estive envolvido em muitos.

A gravidez da Ida corria tranquilo com visitas de rotina ao médico , sem que ela sentisse enjoo ; Nessa época tínhamos um fusca 69 branco muito conservado , e periodicamente íamos visitar tios da Ida que moravam na Cidade Patriarca na zona Leste que ainda não tinha o prolongamento da Radial Leste ; O caminho era muito irregular e o fusca além do solavancos , balançava muito e a Ida com o tamanho da barriga bastante grande , balançava e ela tinha que desencostar do banco segurando no painel.

Mesmo no período de gravidez, e com o fusquinha , ainda viajávamos muito para Serra Negra, Lindoia, Itanhaém e outra cidades turísticas , na maioria das vezes junto com o Nelson e Dina , parceiro de república quando solteiros e cunhada , já casados.

Já no final da contagem regressiva, tudo acertado com o médico, hospital, minhas férias e da Ida já em gozo, só aguardando o sinal (contração) ,e na noite de 09/julho, quando estávamos na sala assistindo tv, estourou a bolsa "aminiótica" e saímos correndo para a Maternidade São Paulo ;

Na época , apesar de ainda não ter difundido sistema de plano de saúde médico e hospitalar , eu já possuía plano oferecido pela Ford, porém o Dr Mastroiani não era credenciado e o atendimento todo foi pelo INSS,na enfermaria, por sinal ainda era muito bom o atendimento,  diga se de passagem ; As 11hs do dia 10/julho/1970, nasceu a Elisa, nome escolhido pela Ida de um lista ,de parto normal , que por ter sido a primeira, sentiu muitas dores no  pré e durante o parto.O médico era da moda antiga e dava preferência a parto normal, o qual  a Ida também concordara.

Tudo correu maravilhosamente bem e corri para telefonar avisando a família da Ida e a minha.; Alegria geral; No quinto dia o médico deu alta e fomos em três mais a sogra para casa .

domingo, 2 de janeiro de 2011

Assentando base familiar

SÃO PAULO, 02/01/2011

VIDA COMPARTILHADA

Aqui, começo descrever o que considero segunda fase da minha vida : Eu e Ida, juntos, passaremos a
conviver  momentos de intensa felicidade , mas também de muitas preocupações e dores que a vida nos    
impõe.

Após seis meses do nosso casamento, o prédio da rua Gandavo na vila Clementino ainda por terminar ,decidimos ir morar : Pedimos à construtora antecipar o acabamento do nosso apartamento, ainda que todo restante ,( entrada do prédio, elevadores, escadaria, corredores, inclusive energia elétrica, tudo na   "gambiarra") estivesse inacabado, para podermos morar : Quando chegávamos à noite , subíamos  escadas no escuro, no concreto bruto ,tropeçando em coisa que não enxergávamos.

Apartamento novo e tudo demais também , e a Ida dando os primeiros passos na cozinha, tudo era
motivo de felicidade: Tudo tranqüilo no horizonte, compramos um Aero-Willys ano 62 branco, bancos de couro vermelho: Esse carro serviu para transportar algumas noivas para igrejas e depois os recém 
casados:Também sempre tinha pessoas perguntando se venderíamos. Viajávamos com freqüência , quando fomos conhecer Rio de Janeiro, Cabo Frio, Teresópolis , Petrópolis e o Museu Imperial, e circuito das águas em Minas ,além de muitos outros lugares. Gostávamos de fazer programas tanto com a minha família como o da Ida pois cabiam seis pessoas confortavelmente.

Na Willys , já entrosado, não faltava desafios para minha vontade de aprender e sentia mais c mo divertimento do que como trabalho, e assim não me sentia cansaço nenhum.

Passado um ano, preferimos mudar para uma casa por questão de costume e fomos morar num
sobrado próximo, no bairro de São Judas Tadeu, na rua Mal. Caetano de Faria; Fizemos troca do apartamento pelo  sobrado, assumindo prestações bastante pesadas :Foram dois anos
de sufoco financeiro, mas era uma época de expectativa profissional muito
positivo : era só ter vontade de trabalhar e o resultado aparecia.

Ida trabalhava numa empresa chamada Clan, que na época capitava incentivos fiscais de quem desejava investir em empresas que estabeleciam no nordeste, e juntando o salário dela com o meu pagávamos as prestações, e com as horas extras que eu fazia (muitas) na Ford, dava para
pagar despesas . Devido a inflação que existia , os salários iam sendo reajustados , e com as pres-
tações fixas , no início foi difícil , mas em pouco tempo estávamos podendo viajar e até fazer
algumas extravagâncias .

Tínhamos adquirido quota de Motel Clube de Minas Gerais que possuía hotéis e muitos em convênio em cidades turísticas; E quando não estávamos viajando em grupo, estávamos conhecendo cidades históricas , turísticas, serranas ,estações de águas ou praianas; na época o turismo ainda era pouco praticados e conhecer o Rio de Janeiro, Cabo Frio,Petrópolis,Teresópolis, São Lourenço,Caxambu, Serra negra, Águas de S. Lourenço,Caraguatatuba e muitas outras cidades nos deixou muitas lembranças e saudades ;
Além de que o nosso grupo de Estrela da Manhã estava sempre organizando viagens em ônibus fretado ou de linha mesmo, para Campos de Jordão, Itanhaém, Pico de Itatiaia , etç, ; outra coisa eram os matinês dançantes ao som de Ray Conniff , e bailes de formaturas, muito na moda na época; são lembranças inesquecíveis .


Tudo corria bem , até que em meado de 1968, o Pai da Ida começo apresentar sintomas de doença que ele dizia não ser nada ou simples azia ; ele estava empregado numa cooperativa e ia trabalhar no Ceagesp e o levávamos sempre até lá ou então até o ponto de ónibus ; Ele gostava de conversar comigo e ao invés de ficar encostado no banco traseiro, preferia ficar de cotovelos apoiados no encosto da frente falando comigo.

Como era perceptível a debilidade dele aumentando, a Ida e os irmãos decidiram leva-lo para um médico examina-lo , porque ele não queria ir; o prognóstico do médico foi de que deveria fazer exames com urgência e na mesma semana foi levado para o hospital Sta. Cruz; os resultados não foram nada animadoras , com o câncer no abdômem já em estágio avançado; mesmo assim foi decidido fazer cirurgia, e ao verificar, viu se que nada mais havia a fazer; lutou durante três meses e em novembro de 1968 faleceu deixando a esposa e nove filhos.

Segundo os filhos, o Pai teve que lutar muito para sustentar a grande família mas foi um homem simples , feliz e teve muitos amigos .

No ano seguinte houve o casamento do meu ex-colega de "república"e circulista Nelson com a minha cunhada Dina ; outro acontecimento foi a gravides da Ida que depois de quase três anos de casados , resolvemos que tinha chegado o momento de pensarmos em filhos;


23/06/2011
Aqui vou abrir um parêntese para escrever um pouco das três cirurgias reais e uma "espiritual"que tive de me submeter entre 2005 a 2011 para depois continuar novamente a escrever sobre a história da minha vida.

O problema já vinha me incomodando desde 2002 , quando iniciou uma dor próximo da virilha esquerda ao fazer caminhada que praticava : Após quase um ano procurando a origem da dor, um ortopedista do Hospital Edmundo Vasconcelos diagnosticou osteoartrose ( desgaste da cartilagem que fica amortecendo o impacto do fêmur na bacia) que pode ser por vários fatores, como idade, carência de algum nutriente, ou prática de algum esporte mais radical que não é o meu caso.

O médico me disse que o meu caso era de cirurgia ( colocação de próteses ) e que a durabilidade da prótese era de aproximadamente 15 anos, e eu estava chegando aos 65 anos, então com a possibilidade de ter que trocar a prótese um dia. Decidi não fazer nada naquele momento, pensando em pesquisar outras alternativas.

Procurei opinião de massagistas, fisioterapeutas que cuidavam de pós operatórios iguais ao meu caso e acupunturistas : As respostas eram muitas difusas e não me permitiam tomar decisão ,até que uma fisioterapeuta chamada Márcia me ofereceu um telefone de um acupunturista chinês chamado Liu, formado na China , dizendo ter ouvido falar ser muito competente.

Diante da situação , marquei uma consulta e após a minha explanação , respondeu-me que conhecia o problema e me garantiu que de modo intensivo , 3 vezes por semana, em 3 meses estaria não sentindo mais a dor : R$ 80,00 por seção , achei que valia a pena e iniciei : em três meses a dor começou a regredir e poder voltar a andar normalmente em 6 meses : fiz mais 6 meses ,uma vez por semana, pensando em consolidar a melhora, o que realmente aconteceu. Unica questão naquela ocasião foi que o plano de saúde não o reconhecia como médico e me negou ressarcir os honorários pagos .

Não voltei a fazer caminhadas por precaução: Continuei trabalhando e levando a vida normalmente por durante mais ou menos dois anos e meio, até que uma das minhas filhas , a Elisa , viu na sola do meu pé direito, próximo do centro, uma mancha escura, azul cinzenta ,em forma irregular , e difusa : Não sentia incomodo nenhum, nem dei atenção à que ela me dissera de procurar um dermatologísta : Numa seção de massagem ayurvédica pela Núria, amiga de uma outra filha minha , a Bia, notou a mesma mancha, procurou se informar e me alertou  que eu deveria procurar especialista : como não sentia absolutamente nada de anormal e cético que sou por coisas que não sinto , não dei a atenção novamente.

Ambas continuaram me alertando e cobrando uma ida minha à um médico, e a Elisa tomou iniciativa de conversar com uma amiga dela , dermatologísta Dra. Sandra : A Dra. orientou-a a me dizer que deveria procura-la o mais rápido possível para uma análise da dita mancha. Desdenhei o recado e passaram mais um mês, e numa tarde mais tranquila e como o consultório da Dra ficava perto, fui.

A Dra. observou, comparou a mancha com fotografia de um livro sobre o assunto e disse ser necessário fazer uma biópsia , que foi feita em seguida e aguardar o resultado do exame : uma semana depois, o resultado do exame indicava possível melanoma acral , um tipo de câncer de pele muito agressiva : me orientou a consultar outros médicos para eu não ter dúvida .Muito agressiva ? pensei, como, se eu tinha percebido algumas vezes, alguns anos antes, se bem que menor e também não sentia nada no local ?

Conversando com a Ida, minha esposa, sobre a questão , ela me disse que iria procurar um médico no hospital A.C. Camargo com o resultado do exame da biópsia, já que ela era Voluntária lá :A resposta veio com uma consulta já marcada e que seria necessária repetir a biopsia, o que foi feita , agora, no Hospital do Câncer: O resultado positivo confirmou o anterior .

A confirmação do melanoma na minha sola do pé não me afetou e nem alterou a minha rotina de trabalho e minha cabeça: Perguntei ao médico se era urgente a remoção e me respondeu que não tanto , mas deveria ser feita ainda naquele ano : estávamos em setembro de 2005 , e então fiquei de iniciar os exames pré-operatórios : com os exames de sangue, RX, vascular, e perguntas sobre alergias me apresentei novamente ao médico cirurgião  Dr. Edward em companhia das minhas filhas Elisa e a Beatriz .

Perguntas vão, respostas vem, não estava nem um pouco preocupado, e por curiosidade perguntei como e que tamanho seria a cirurgia , imaginando que seria só retirada da mancha: O Dr. pegou uma folha de sulfit, desenhou a planta do meu pé em tamanho aproximado, com a mancha, e fez um circulo de mais ou menos 5 cm de diâmetro em volta da mancha e me disse que seria removida toda área dentro do circulo e profundidade até o osso do pé: o circulo era maior do que a largura do pé naquela posição e então comentei que ficaria com o pé separados em partes: da frente , o calcanhar e o meio vazio: Ele me disse  que sim e que eu tinha  muita sorte : Balancei a minha cabeça e lhe disse que sorte seria essa , pois iria perder 1/3 da planta do pé : Ele me explicou que tudo que ficasse dentro do circulo teria que ser removido e portanto , se a mancha estivesse próxima dos dedos ou do calcanhar , a perda seria muito maior e criaria dificuldade de apoiar  e de caminhar: e ainda pior se fosse 10 anos atras, porque naquela época o tamanho do circulo teria que ser o dobro . A consulta terminou e ficou marcada a cirurgia para início de novembro de 2005.

Um dia antes da cirurgia, estive no hospital para fazer a localização dos gânglios através de contrastes e ultra-som na perna direita e no dia seguinte, juntamente com a cirurgia seria feito biopsia para detectar possível metâstase que a possibilidade era de 30%.

No dia da cirurgia a minha filha Elisa me levou bem cedo para o Hospital do Câncer e após algumas perguntas e orientações , fui levado de maca para a sala pré operatória e depois para a aplicação de anestesia geral : O anestesista me explicou que a cirurgia iria demorar uma hora e o efeito da anestesia iria começar logo : me apaguei !

Quando comecei a acordar do efeito da anestesia, ainda bastante zonzo , percebi que estava num quarto e rodeado de varias pessoas , que não consigo me lembrar : não conseguia me mover e muito menos a perna direita que o pé estava todo enfaixado: Mais tarde, conforme a anestesia ia passando , via a Ida ,e minhas filhas : vinham enfermeiras refazer o curativo e trazer analgêsicos ,anti-inflatórios :

Dormi relativamente tranquilo, e no dia seguinte , de manhã , o medico me examinou e deu alta: A Ida avisou, não me lembro qual das filhas, que veio me  buscar e pedi que me levasse para a nossa firma, Quattrinni que ficava no bairro de Bom Retiro .

Alguns dias antes da cirurgia , tinha pensado em como me locomover só com a perna esquerda: Experimentei cadeira de rodas e muletas , que para andar até que me ajudava, mas para descer e subir escada , vi que não resolvia : e para entrar da rua para a minha casa , tinha degraus equivalente a um andar : então resolvi fazer um andador sob medida e expliquei ao encarregado da fabrica o que eu queria : um dia antes da cirurgia ele me apresentou , testei andando , subindo e descendo escada e aprovei.

Disse acima que ao sair do hospital pedi para a minha filha que me levasse para a Quattrinni ao invés de me levar para a casa : a orientação medica para pós operatório era de que eu deveria permanecer em casa , de repouso , por 30 dias , de cama pelo tamanho do buraco feito e deixado à céu aberto , somente com o curativo : Não foi uma cirurgia em que se faz o corte, e depois de feito o reparo, fecha-se e costura com os pontos e fica aguardando a cicatrização : para evitar possibilidade de metâstase , é extirpado além da pele (grossa) , vasos sanguíneos, nervos e fica drenando liquido encharcando curativo contínuamente , sem pontos.

Passados um mês e pouco, já em meados de dez/2005, o médico achou que deveria ir para a segunda etapa que seria de fazer o enxerto : Imaginava que seria a remoção de uma porção da região qualquer do meu corpo e transplanta-la para o buraco do pé e:nem me passou pela minha cabeça de perguntar ao doutor: era semana véspera de natal, me internei novamente e desta vez a anestesia foi local (rack) e pude sentir que estavam mexendo no meu pé, na perna, porém sem sentir dor nenhuma:

Novamente no quarto, recebendo soro, Tramal e e outros medicamentos, ouvi do médico que tudo tinha corrido bem, e aí perguntei o que ele tinha feito: Disse que havia removida a pele da lateral da minha perna para fechar o buraco do pé : aí pensei, não estou sentindo nada devido a anestesia , mas vai ficar um buraco na perna : não foi nem uma , nem outra , e sim removeu somente a pele da grossura de uma folha de papel e costurou em volta do buraco do pé : o preenchimento do buraco ficaria por conta do próprio organismo ao longo da cicatrização.

Já na véspera de Natal , quando estava na maca da enfermaria recebendo curativo, o médico apareceu para observar o meu pé , e disse bem alto que eu tinha ganho um presentão de Natal: estavam presentes Elisa, Bia e funcionários que eu tinha feito amizades e ele me mostrou uma folha de papel e pediu para que eu lesse : era resultado do exame de dua biópsia feitas nos gânglios dando como negativo possibilidade de metâstase . Todos bateram palmas emocionados : na ocasião eu não tinha consciência real , que mais tarde vim entender : em caso de resultado positivo, a cirurgia teria sido apenas uma etapa ao combate ao câncer e teria continuidade com aplicação de tratamentos conhecidos como a quimioterapia e/ou radioterapia cujos efeitos colaterais são bastante danosos e ainda assim insertas ; com esse resultado tive que somente fazer exames de acompanhamento a cada seis meses durante cinco anos , o que terminou recentemente.

Quem leu até aqui, pode até pensar que estou misturando as coisas: comecei falando da osteoartose e cheguei no Melanoma : então talvez vou fazer mais misturas pois irei falar agora da coluna lombar e hérnia de disco e depois voltar ao osteoartrose que comecei falando.

Em 2007 para 2008, a dor no quadril esquerdo recomeçou e achei que era devido a sobre carga depois da cirurgia no pé direito : pagando plano de saúde caríssimo ( devido a nossa idade) nem pensei em acupuntura e comecei consulta com um ortopedista que o meu dentista ,Dr. Isaac me sugeriu chamado Dr. Rossetti. Ele me pediu que fizesse exame de R.M. e R.X do quadril.

Enquanto aguardava os exames , houve problema de vazamento de esgoto na nossa casa e depois de ouvir o pedreiro dizer que tinha que quebrar escadas e todo corredor para descobrir o local do vazamento , pensei comigo : tenho que descobrir o local para quebrar o mínimo necessário , e com o uso de mangueira d'agua consegui : no exercício de procurar o local do vazamento e o de descarregar sacos de cimentos, areias, pedras e cerâmicas do carro , me provocou uma crise de dor na coluna lombar e fui parar num hospital.

No pronto socorro do hospital Samaritano tiraram R.X ,aplicaram injeção , receitaram antiiflamatórios e me dispensaram : Passado um dia , a dor continuava e voltei ao Samaritano e dessa vez me encaminharam para ficar em observação e aplicando mais analgésicos : a cada 3 a 4 horas vinham me perguntar da dor e respondia que continuava : e assim no dia seguinte ,depois de mais de um dia em observação apareceu o Dr. Rossetti , que eu não sabia que dava plantão nesse hospital.

Depois de avaliar a minha situação, me disse que o problema era a hérnia de disco , conhecido como bico de papagaio : e me deu duas alternativas : tentar ir levando tomando antiinflatórios ou fazer cirurgia : achei que a primeira era inviável e lhe disse que preferia a cirurgia , uma vez que
eu já tinha antecedências .

Uma vez decidido pela cirurgia, começaram os exames pré-operatório e no segundo dia fui levado para a sala de operação ; imagino que seja pela dor e/ou pela emergência , não me lembro de detalhes antes da cirurgia; quando me dei conta , recobrando o sentido da anestesia, estava numa sala de observação pós operatório e a Ida estava ao meu lado; num vai e vem de enfermeiras me aplicando soro, analgêsicos , e não sei mais o que, comecei a sentir sonolência na medida que era injetado alguma dessas substância e disse à enfermeira: Ela disse que não era para eu sentir sonolência mas o fato é que logo em seguida comecei a ter dificuldade de respirar e me debater ; a Ida me contou depois que , ao me ver debatendo sem conseguir respirar correu para uma sala ao lado onde se encontravam médico e enfermeiras e eles vieram correndo; fizeram algumas tentativas e depois de um certo tempo me acalmei, voltando a respirar novamente; depois perguntando para médicos e enfermeiras o que tinha causado aquele sufoco, as respostas foram todas evasivas ; eu tive choque anafilático e a sorte foi que estava próximo de médico e a Ida no meu lado.

Depois disso fui me recuperando e no quinto dia após a cirurgia estava caminhando pelo corredor , quando o Dr. Rossetti me viu, perguntou como eu estava me sentindo e como respondi positivamente me deu alta; aliás, único senão era o efeito colateral dos medicamentos forte que me causa prisão de ventre muto forte. Um detalhe engraçado foi que , a Ida e as minhas filhas, aproveitando para me visitarem no Samaritano , gostavam de tomar sopa na padaria Dna. Deóla em frente ao hospital, e aproveitar o estacionamento de graça.

Fui para a casa com 4 parafusos grandes , duas chapas de metal e uma hérnia postiça ligando dua vértebras da coluna lombar; ainda tinha o meu andador e andar ou subir escadas não era problema, mas dessa vez não voltei ao trabalho como da vez anterior , mesmo porque praticamente tinha passado para a minha caçula Denise quase todas as questões da firma e assim pude me recuperar mais calmamente.

Passados mais ou menos 30 dias voltei ao consultório do Dr. Rossetti conforme tinha me orientado e aproveitei para falar do caso do meu osteoartrose; Ele recomentou dar um tempo, mesmo porque não era caso de emergência e tinha aguentado já 5 anos.

Ano 2010, já tinha encerrado atividade da firma ( duas lojas e uma fabrica de instalação de lojas de confecção) e estava prestando serviços para duas das minhas filhas, Denise e a Bia; Em meado desse ano , comecei a sentir dores na minha perna direita, além do que já sentia na esquerda; foi se agravando a ponto de quase não conseguir andar 50 metros , nem ficar de pé e mesmo deitado na cama para dormir , a dor me incomodava : como já andava de bicicleta e não sentia incômodo nenhum , comecei a usar para ir a muitos lugares e usar o bicicletários do Metrô. .
O meu plano de saúde ainda estava em período de carência ( o anterior de 15 anos tinha ido para o espaço junto com o encerramento da firma ) e iria terminar somente no início de dezembro, e portanto qualquer decisão que quisesse tomar , seria depois disso; literalmente cheguei até dezembro me arrastando à base de antiinflamatórios.

Contando dias para terminar a carência, procurei o Dr. Rossetti com o exame de R.M. da coluna que tinha conseguido no hospital A.C. Camargo , para falar da dor na perna esquerda ; disse que tinha havido um deslocamento de vértebra onde tinha os parafusos e que seria necessário outra cirurgia , além de ter aparecido novo bico de papagaio mais acima da coluna ; Como não sou de ficar questionando e se é que é necessário, vamos entrar novamente no bisturí, e marcamos para dia 18/12/2010, um sábado , agora no setor de ortopedia do H.C. .


Enquanto ia atrás de exames pré- operatórios , a minha filha Elisa me telefona querendo que eu fosse fazer cirurgia espiritual com o Cristóvão Brilho, e falou para mim acessar o site dele www.cristovaobrilho.com.br ; pensei e falei para ela que eu não acreditava nessas coisas e esqueci ; Dia 30/dez, umas 17 hs, quando estava eu fazendo umas entregas para clientes da Bia na V. Madalena , toca o meu celular e era a Elisa me lembrando da cirurgia espiritual naquele dia; repeti que não iria , mas de tanto ela insistir , disse que estava na rua e não lembrava do endereço ; daí um instante ela liga de novo passando o endereço pelo torpedo e quando vejo estava a umas três quadras do local, na R. Harmonia 1190; aí me acabei desarmado de argumentos e fui.


Lá encontrei amigos da Elisa que já conhecia os procedimentos e me orientaram ; quando chegou a hora do início, formou-se uma pequena fila de acordo com a senha que é retirado na chegada e na sala da cirurgia , cada um(a) com até duas anotações da sua(s) doença(s) anotado(s) numa folha de papel é mostrado ao Cristovão; Ele faz alguns gestos e toques no local suposto da doença muito rápido e pronto , terminado; depois na saída , cada um recebe um envelopinho contento pequeno cristal com orientações a ser seguido.

Poucas vezes lembrava  da cirurgia e quando ela me perguntava se sentia algum efeito , respondia que não e ela ficava frustada; nesse ínterim , os exames de laboratório estavam prontos e encaminhados ao H.C.; Faltavam 5 dias para a cirurgia , estávamos no Anhembi para assistir a presentações de ballet das netas Giulia, Anne e Leonardo e percebi que mesmo andando uma certa distância, a dor na perna direita tinha diminuído; na noite seguinte , fomos assistir apresentação de coral que a Bia participava no Sesc V. Mariana e andando, novamente percebi que a dor praticamente tinha sumido ; meio crédulo , lembrei da cirurgia espiritual e comentei com a Ida e a Bia que não estava mais sentindo dor,e elas ficaram espantadas ; e agora o que faço ? pensei ;Tomei coragem e  na sexta , véspera da cirurgia liguei para o Dr. Rossetti para dizer que não estava sentindo mais a dor, preocupado em  não saber dizer o por que, se me fosse perguntado; para a minha sorte , ele simplesmente respondeu que se não estava doente a cirurgia estava suspensa e aguardaria 30 dias para que se a dor não voltasse seria cancelada em definitivo; a dor não voltou e a cura ficou por conta da cirurgia espiritual do Cristovão Brilho; continuei frequentando as seções dele por mais 4 meses devido ao osteoartrose , mas não houve resultado que esperava.

Que alívio sentir que não teria que repetir cirurgia no mesmo local da coluna; o tempo foi passando e continuei tomando antiinflamatório somente por causa do osteoartrose na bacia esquerda que cada vez menos  fazia efeito; Em maio2011 , resolvi voltar ao Dr. Rossetti com a intensão de colocar prótese ; como ele já conhecia esse problema , prescreveu todos os exames pré-operatórios e marcamos a cirurgia para 17/06 no H.C.

Todos os exames foram satisfatórios e no dia 17 , as 7 hs estava no H.C. levado pela minha filha Bia e acompanhado da Ida aguardando o inicio do atendimento de entrada para a cirurgia ; muito atencioso, o Sr. Wallace nos levou primeiramente para o nosso quarto e depois de feito a troca de roupa para aquela de traseira aberta e azul , me transferiram para uma maca e duas enfermeiras me levaram para uma ante-sala cirúrgica; aguardei uns 30 minutos , ainda com a Ida junto de mim , quando vieram me buscar para entrada na sala de operação ; daí em diante só me lembro do anestesista dizendo do procedimento e me apaguei .

Acordei na U.T.I. com as enfermeiras me aplicando séries de medicamentos ( anti-inflamatórios, morfina, antibióticos e outros) e me pareceu estar tudo em ordem; enquanto estive no U.T.I. , devido a aplicação de medicamentos muito forte contra a dor, ( morfina e celébra) minha cabeça continuou muito zonzo , parecendo que as luzes e o teto estavam estavam girando , além muita náusea; quando soube da aplicação de morfina , pedi para que suspendesse e aí melhorou e um pouco antes de deixar o U.T.I. pedi para suspender o Tramal também.

Logo percebi que não conseguia mexer a minha perna esquerda por minha conta; já no quarto, no dia seguinte da cirurgia era impossível me mexer a perna , mas com a ajuda de uma fisioterapeuta , desci da maca e consegui dar alguns passos, inclusive apoiar o meu peso de leve ;outra dificuldade era fazer as necessidades fisiológicas e tomar banho sem conseguir levantar e nem dobrar a perna; os dias se seguiram me sentindo melhoras , com visitas de médicos e fisioterapeuta ; único problema, como já aconteceu em cirurgias anteriores , foi o intestino preso que desta vez tive que me submeter a lavagem intestinal que foi o pior da recuperação e me atrasou um dia a alta.

Na visita do Dr. Rossetti no dia da alta perguntei a ele quais seriam as minhas restrições no período de recuperação, e a resposta foi nenhuma, excesso cruzar a perna esquerda e agachar,como sentar em guia de rua; assim no dia 22, passados cinco dias da cirurgia voltei para a casa ainda sem conseguir erguer a minha perna que parecia pesar 50 quilos e quando forçado doía.

Já em casa , comecei a me locomover com a andador que fiz antes da cirurgia , na medida do piso da escada e assim desde o primeiro dia em casa subia e descia a escada sem dificuldade; no dia seguinte comecei a ir fazer fisioterapia e em seguida , andar só apoiado em bengala ;hoje, dia quatro de julho, 17 dias passadas da cirurgia já consigo andar sem a bengala e não sinto mais dor, só uma pequena limitação ao querer levantar a perna.

04/07/2011
Hoje, depois de contar a história das três cirurgias que passei vou fechar o parêntese e voltar a falar da minha vida , porém no próximo capitulo.

























terça-feira, 2 de novembro de 2010

Criando raiz em São Paulo


SÃO PAULO, 02/11/2010

TRABALHO, PROMOÇÃO E CASAMENTO,


1964 foi um ano marcante para mim; Primeiro , a mudança de ambiente de trabalho, saindo de fabrica , para um departamento de engenharia; Como em todas as mudanças anteriores, no início estranhei muito ,mas nessa demorei mais tempo para me adaptar devido a falta estudo. Enquanto estive nas oficinas e ferramentaria , no inicio tinha dificuldade, mas me adaptava rapidamente; Agora, interpretar desenho técnico é una coisa , porém desenhar é outra coisa; fazer uma engrenagem com todos os dados contidos num desenho é uma coisa , porém calcular todos os dados necessários é outra; ler um memorando e entender é uma coisa, porém saber redigir com um mínimo de estética, português correto , contendo começo, meio e fim é outra coisa e assim por diante.

O que me ajudava compensar  as minhas dificuldades acima , era a facilidade maior que tinha em encontrar e solucionar problemas técnicos complicados que surgiam em linhas de produção em relação aos demais , mas eu não queria ficar limitado por essa carência, por eu ter parado de estudar; tinha que observar tudo e assimilar o mais rápido possível , e assim, aos pouco fui me acalmando; comecei estudar por conta própria comprando livros técnicos , e a um amigo engenheiro, Arthur Schinneider pedi para que nos fim do expedientes me desse aulas de matemática e tive que recomeçar do zero o que me ajudou muito .



Passado mais ou menos um ano , conseguia dar conta do recado e tranquilo comecei a pensar em um assunto que vinha pensando : Aplicar em imóvel a poupança que vinha conseguindo e fechei contrato de compra de  um apartamento em lançamento na rua Gandavos, na Vila Clementino com ajuda de um colega de apartamento chamado Shumio que era contador.


Enquanto isso continuei frequentando o Circulo Frei Bonifácio e mantinha contato também com outros Círculos que eram dirigidos por meus amigos; Nesse ano, o Circulo Frei Bonifácio organizou uma viagem para Baurú por intermédio do circulista Nariaki que era de lá; Um intercâmbio cultural, religioso e esportivo de quatro dias com o Circulo de Baurú; Todos  reunidos junto ao ônibus que nos levaria ,  percebi que tinha uma jovem desconhecida acompanhando a amiga  Yassuko ; Cada um (a) foi se acomodando em poltronas e não sei se foi uma armação ou não da turma, a poltrona que ficou vaga para mim foi ao lado dessa jovem ; Como de costume em casos assim, a turma começou indiretamente fazer gozação em cima de mim ,o ônibus partiu , muita conversa , algazarra e quando enfim o sono começou a vencer , chegamos ao destino .


Após boas vindas , fomos separados em grupinhos e cada um levados para casa de um(a) Circulista ;No último dia , à noite, após quatro dias de atividades religiosa, palestras, futsal e tênis de mesa, houve baile de despedida; Nessas alturas já sabia que o nome da jovem desconhecida era Ida , e" tomei conta" dela quase o baile todo ; De vez em quando vinha um "bicão"tirar ela de mim , mas depois à retomava ; A viagem de volta , todo mundo cansado e dormindo , dormi pouco  e chegando à São Paulo levei ela e a Yassuko de táxi até a casa dela; Fui embora pensado se encontraria novamente .


No trabalho queria aprender rápido  e assim, apesar de me faltar conhecimento de engenharia, sentia que era reconhecido e tanto o eng. Oda como Mário me incentivava muito ;Com isso comecei a ficar realmente mais tranquilo e me sentir em igualdade de condição com demais colegas ;Me deram uma linha de usinagem para cuidar de problemas técnicos, como  os demais ;Não havia uma aprovação ou reprovação explicita para aproveitamento de pessoal da fabrica na engenharia , porém em seguida a mim outros vieram a ser transferidos também, abrindo possibilidade de promoção que não fosse necessariamente  para chefias na fábrica..


Passados quase um mês da viagem à Baurú , eis que a minha amiga Yassuko aparece numa reunião do Circulo acompanhada da Ida ; Lembro de te-la ouvido dizer que tinha gostado do grupo e que gostaria de conhecer o Circulo, e aceitou convite da Yassuko ; A partir daí começou a aparecer em reuniões , trouxe uma irmã chamada Dina e se entrosaram no Circulo; No Circulo da Vila Prudente , presidido pelo meu amigo Pedro, tinha muitos colegas vindos de Marília e gostava de frequentar lá também e então ficava para lá e para cá ; Passados uns meses , o clube do Banco América do Sul marcou realização de um Baile na Casa de Portugal e resolvemos participar em grupo ; Nesse tempo a Ida  tinha feito amizade com todo nosso grupo e não sabia se teria alguma chance de conquista-la , mas a turma me avisou que ela iria ao baile acompanhada da mui amiga Yassuko .


No baile, toda turma nas mesas reservadas, a orquestra começa tocar sucessos dos anos 50 e 60 como as do Ray Conniff e partimos para tirar as damas para dançar; A turma muito respeitosamente deixava Ida de modo a me facilitar a tira-la e dançamos bastante, até me dar coragem de dizer que gostaria de namora-la e se me aceitaria; Bom, acho que não preciso dizer qual foi a resposta , uma vez que estamos casados há 48 anos , 4 filhas , 6 netos ,e  momentos de muitas lutas , alegrias e de muitas felicidades .


Já tive muitos momentos de felicidade imensa mas o que a Ida me fez sentir ao iniciarmos o namoro superou todas , mesmo porque não foram momentos , e sim contínuo; Ao fugir de casa , renunciei a vida familiar , passando a viver em ambientes que, por melhor que fosse , nunca substituiu o aconchego familiar, e ao conhecer a Ida , pude sentir novamente essa sensação junto à família dela; Morando em pensões e república , nos fins de ano, invariavelmente o pessoal iam visitar seus familiares e eu ficava sozinho sem ter onde ir ; Amigos que moravam em São Paulo me convidavam para passar o Natal e passagem de Ano Novo , mas me aliviava pouco sentimento de tristeza que sentia .


Ao ler esse parágrafo , ela , a minha esposa, poderá imaginar : Ah ! então ele queria era ser adotado por uma família e não era a mim que queria ! De forma nenhuma, pois desde o momento que a vi me chamou a atenção e senti, o que nunca tinha sentido antes , e a família dela vim conhecer mais tarde .


Se no trabalho me sentia entusiasmo por estar realizando o que mais gostava , ao conhecer a Ida, a minha vida parecia ter acertado num bilhete de loteria; Em turma , íamos aos cinemas, restaurantes, viajávamos  para praias,regiões serranas e também à eventos religiosos que o Circulo promovia ou participava ;Vivia como se estivesse nas nuvens :Num desses eventos que seria realizado numa chácara que duraria o dia todo , ela não pôde ir devido a uma gripe que contraíra muito forte; Foi um dia muito sem graça , e ao voltar fui visita-la na casa dela pela primeira vez , ainda sem conhecer a família dela ; Passado pouco tempo , ela apareceu na sala toda agasalhada e surpresa por não ter imaginado que iria visita-la, e  tempo depois disse que achava cedo para apresentações à família ; Estava sentado no sofá quando  veio trazendo xícara de chá e ao se curvar para me servir, a xícara virou e levei um banho de chá quente. 


Tudo tranquilo, comprei o meu primeiro carro, um Gordini quase zero km, na própria Willys; Era uma sexta feira e estava combinado de a turma passar o fim de semana no Miami Hotel em Itanhaem como fazíamos sempre indo de ônibus ; Com a possibilidade de irmos com o carro que a Willys iria me entregar naquele dia ,pedi a Ida avisar o pessoal que fossem antes que nós iríamos de carro logo em seguida ; Naquele tempo , ter carro não era fácil como é hoje , mas como fazia muitas horas extras , conseguia dobrar o salário e funcionário tinha bastante desconto além de pagamento facilitado sem juros,portanto não tinha porque não ter; Tinha aprendido dirigir ainda quando era de menor, e era uma das coisas que gostava muito e agora descendo a Rodovia Anchieta , a única e a mais bonita rodovia da época, junto com a Ida, era o máximo para mim.


Família de nove irmãos, Pai e Mãe, vindos de Monte Alto , metade dos irmãos ainda menor de idade , não era uma vida fácil : Mas percebia-se que havia entusiasmo e otimismo em cada membro da família da Ida : Fui muito bem recebido pela família e namoramos cerca de um ano e meio , quando propus a Ida que oficializássemos nosso noivado : Reagiu dizendo que não tínhamos pressa , mas consegui argumentar, não me lembro como, e depois de formalizar o pedido da mão da filha aos pais, Sr.Kuro e Cizuco ,numa cerimônia bem simples, botamos alianças nos dedos .


Mais tarde , vim saber que a Ida tinha sido Rainha do Mamão de Monte Alto na festa de comemoração do aniversário da cidade : Tive oportunidade de visitar duas vezes a cidade e conhecer amigos, familiares e os padrinhos dela.


Retroagindo um pouco no tempo, logo que começamos o namoro , levei a Ida para conhecer a minha família , quando ouvi dizer que havia certo alivio : Perguntei por que, e disseram que por via do destino poderia um dia eu cruzar com uma das minhas meia irmãs e acabarmos gostando:( parece historia de filme não ?) . A minha família , como disse no parágrafo anterior , também levava uma vida de muita dificuldade , agora separados , cada uma com filhos pequenos : Eu e a Ida íamos visita-las com frequência e víamos a luta pela vida , mas com orgulho e não com resignação .


O tio mais velho, Okini-sam e a tia Mitsuko-san morava em São Caetano e cuidavam da Avó, e o tio gostava de conversar conosco quando visitávamos :A Avó, desde há muito tempo tinha deficiência auditiva e reumatismo nas pernas que dificultava locomoção e na maioria do tempo tinha que estar sentada ou deitada , e o maior passatempo dela era fazer colchas de retalhos : Os filhos , por ordem de idade , Yukio , Marina ,Milton ,Geni e Helena ainda eram crianças : Mas não demorou muito , lembro que o Yukio empregou-se numa autoescola como "office-boy e em seguida a Marina também iria seguir caminho do emprego e aos pouco demais irmãos foram aliviando as dificuldades. Todos estudando e por acaso a cidade de São Caetano tinha já naquela época boas escolas públicas.


O segundo tio, Kiyoshi-nissan e a tia Hanako-nessan ( tia Glória ) foram morar em Mogi das Cruzes com os filhos Hitoshi e Hiroco ( Dina ) :Comparando com os irmãos , eles não tiveram mesmas dificuldades porque ele sempre esteve a frente dos negócios que o pai dele o delegava e tinha adquirido experiência administrativo , e creio que teve incentivo da família da tia , Kawaguti: A tia que um dia me serviu aquela compota de figo colhido no próprio quintal , era muito simpática e sempre que eu e Ida íamos visita-los, tinha lá os doces ( manjar com ameixas e bastante caldo , bolo de nozes em pedaços, ) esperando a gente e muita conversa agradável.


O tio Takeshi e a tia Yoko com os filhos Edison e Nelson  escolheram cidade de Piracicaba para morar: Não chegamos a visita-los lá por motivo de logo após mudarem terem tido azar muito grande de a loja que tinham aberto ter se incendiado enquanto estavam em São Paulo. Perderam quase tudo do pouco que tinham obtido na divisão da loja de Parapuã:  Mudaram para Francisco Morato onde nasceu o Adirson e com as crianças pequenos e também quase sem experiência administrativo e sem capital, dá para imaginar as agruras que eles passaram. Sempre que íamos visita-los , agora morando em Caieras , via-se que a Yoko-san costurava e dava aulas de costura para o sustento da família . Falava com orgulho dos filhos que iam muito bem na escola, que ficava um pouco longe e iam a pé: Mais tarde o tio conseguiu emprego na cooperativa Cotia .


É possível falhas nos relatos acima, relativos a acontecimentos familiares por eu não ter vivenciado junto , portanto desde já deixo o meu pedido de desculpas e aberto aos devidos esclarecimentos .


Na Willys , após a lançamento do Aero-Willys que foi um sucesso , havia muito trabalho para devidos ajustes nas linhas de produção e enquanto alguns dos meus colegas reclamavam de ter que ficar fazendo horas extras semana inteira, sábados e domingos, para mim era estímulo : Foi um período que não havia contato tecnológico com outros países e nem empresas desenvolvidos aqui, portanto era necessário "inventar"muitas soluções : Era uma época de "botar" criatividade para funcionar e a minha cabeça encontrava idéias sob chuveiro nos banhos e até nos sonhos,e que no dia seguinte colocava em prática e estava solucionado problemas.


Por volta do início de 1966, quando parecia que tudo caminhava bem, surgiu uma crise econômica no Brasil e as vendas de carros caíram :Com pátio abarrotado de carros, passamos a trabalhar três dias por semana e cortaram 20% do salário, e o pior,  não sabíamos quanto tempo iria durar o corte : Sem horas extras e com redução de salário, não era possível pagar prestações de apartamento e do carro e a solução foi vender o carro para preservar o apartamento : A crise durou três meses e voltamos a receber integralmente o salário : Mais alguns meses e a Willys nos pagou os 20% que tinham descontado e não demorou muito para que começassem a nos convocar para fazer horas extras novamente.


Com o dinheiro da venda do carro, resolvemos antecipar a compra de moveis, geladeira, fogão e mais algumas coisas e como não tínhamos espaço para manter guardados , entulhamos a casa do futuro sogros : Passados mais alguns meses, marcamos a data do nosso casamento baseado no prazo de entrega do apartamento, acrescentando mais seis meses para eventualidade de atraso:Passamos a fazer lista de convidados , convites , reservar horário na igreja ,reservar salão de festa, roteiros de viagens , etç, etç.


No emprego ia tudo muito bem , novamente envolvido em projetos , trabalhando noites , sábados, domingos e feriados : Cheguei a ficar preocupado de que poderiam atrapalhar o nosso casamento e realmente foi por pouco e tive que brigar com o meu chefe Oda que sabia muito bem da impossibilidade de qualquer mudança. Fiz relatórios do andamento de assuntos que estava cuidando e ao entrega-lo no ultimo dia de sair de férias para casar, recebi dele um envelope contendo lista com assinaturas de colegas me presenteando em dinheiro , valor aproximado ao meu salário :Foi difícil segurar a minha emoção diante de muita pressão e tensão que vinha passando pelo andamento do trabalho e agora receber um presentão assim.




O prazo de entrega do apartamento venceu e nada de receber a chave , e chegou o dia do casório e também nada : Só que , com tantas coisas envolvidas, não tinha como mudar a data do casamento e a solução foi nos acomodarmos num cômodo anexo a sala principal da casa dos sogros , que já estava entulhada de nossas compras


Manhã de Sábado ,08/04/1967 ,estávamos reunidos no Cartório da Paz ,juntos com os Pais da Ida e irmãos.  Foram momentos de alegria e felicidades para nós e para todos os presentes: Foram madrinhas e padrinhos , Maria Lúcia e Shumio, Julia e Kenji, Tetsuo e Cecília, e Dina e Nelson.
,NAS FOTOS,OS PAIS DA IDA, MADRINHAS E PADRINHOS,JUIZ, ESCREVENTE E FOTOGRAFO 

Uma semana de preparativos para a festa do nosso casamento : Infinidade de coisas e assuntos para providenciar , porém da minha parte tudo andou com relativa tranqüilidade ;Pelo lado da Ida , só ela poderá dizer como foi: No sábado ,15/4/1967, dia D , depois de almoçar , deitei para dar uma cochilada : Quando acordei e vi o relógio , tinha passado da hora da cerimônia da Igreja
e me vi perdido sem saber o que fazer, estômago revirando
,tentando imaginar a Ida , o Padre , os Pais dela , Padrinhos e convidados na Igreja me esperando : Ufa ! Acordei , vi o relógio e percebi com grande alívio que tinha tido um pesadelo : Só de lembrar e imaginar que poderia ter acontecido de verdade, tenho que desviar o pensamento.Tive tempo para me preparar tranquilamente e na hora marcada estava na Basílica Nossa Senhora do Carmo na rua Martiniano de Carvalho , que tínhamos escolhido : Os convidados , a maioria , já se encontravam e não demorou muito, ao som do orgão , as portas se abriram e a noiva toda de branco ,muito linda, adentrou acompanhada pelo seu pai , Sr. Kurô, que entregou a mim, junto ao altar
.

Terminada a cerimônia ,recebemos cumprimentos e todos se dirigiram ao salão do Jornal Nippak , na rua da Glória : Convidados que não quiseram participar da cerimônia religiosa já se encontravam, e logo se viu que não caberiam todos :Talvez pela presença à mais de pessoas de família de convidados que não contávamos :

Muitos colegas da Ford tiveram que se contentar em permanecer nas escadas , mas comida não faltou e a lagosta , item raro em festas de casamento na época , fez muito sucesso e lembrados tempos depois..




Buenos Aires que tinha ouvido muito em tangos que tocavam no serviço de alto falante de Parapuã agora era real: Francisco Canaro, Carlos Gardel, Calle Corriente, Calle Tucuman, Caminito, La Boca, Libertá Lamarque, Adios Pampa Mia, Palérmo, El Tigre, bandoleons: Musicas, localidades, cantores, tudo misturados nas minhas lembranças : Assistimos orquestras tocarem tangos em boates que ouvia em Parapuã e conhecemos a tal Calle Corriente 348 ,que equivale a Av. São João x Av.Ipiranga nossa da época: Em São Paulo nem se ouvia falar em Metrô , e lá existia desde anos 20 que cobria toda cidade , avenidas largas e bem sinalizadas :Visitamos um tio-avô da Ida e compramos muitos agasalhos de caxemir para presentearmos no retorno.


Programamos um dia para conhecermos Montevidéo , Punta del Este e Piriápolis : Noutro dia fomos visitar a cidade chamado Lujan , na Argentina , que é como se fosse a nossa Aparecida do Norte


O retorno foi num navio inglês chamado Amazon que era misto de carga e passageiros , porque não existia só de passageiros como é hoje , mas com acomodações ,boate e restaurante muito "chique",além de lazer ao ar livre completo : Estávamos divertindo jogando ping-pong e tentando puxar um papo em precário inglês com um casal, quando percebemos que falavam português ,pois eram mineiros , caímos na gargalhada: Quando estávamos na altura de Santa Catarina, justamente quando estávamos no restaurante começando o jantar, o navio começou a balançar e o enjoou fez com corréssemos para a cabine e ficássemos deitados a noite toda.


Após 20 dias viajando, o navio atracou em Santos , e com medo de revistarem as malas na passagem pela Alfândega , resolvemos vestir vários agasalhos : Não tivemos chance de tirarmos até chegarmos à casa dos pais da Ida : Santos fazia calor , transpiramos tanto que até hoje é lembrado.


Pois bem, aqui termina mais uma fase da minha vida, vivido intensamente, tanto no campo profissional como no pessoal, em que acertei no grande prêmio da vida, que ganhei ao conhecer a Ida. Daqui para frente a minha vida passa a ser compartilhada com a da Ida , agora como esposa, que estará ao meu lado em todos os acontecimentos.





























quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aventura em São Paulo

SÃO PAULO, 14/10/2010

PARA SÃO PAULO,BOTA FORA,14/10/2010
Estamos em meados de 1959 e com 20 anos por fazer, estou na estação ferroviária de Marília aguardando o trem noturno que sairia às 20 hs com destino à São Paulo; Muitos amigos ao meu redor fazendo barulho para o " bota fora" ,e para dificultar o controle do meu estado emocional na hora da partida do trem.


O trem chegou e me despedi rapidamente de todos ,entrei no vagão , sentei no banco , e aí comecei a reordenar a minha cabeça que estava bastante "zoada"; Imaginei que iria pegar no sono logo pois andava bem cansado, mas era muita coisa acontecendo muito rapidamente que não tinha como pegar no sono; Cochilei algumas vezes e quando o trem aproximou de Campinas de madrugada , começou fazer muito frio , e meus dentes batiam e tive que me cobrir com jornal que tinha sido largado por algum passageiro;


Depois de quase 12 hs de viagem o trem parou na Estação da Luz , desci e peguei um taxi ; Já tinha ouvido falar que os taxistas conhecendo os "caipiras" que vinham do interior ,aproveitavam do desconhecimento das ruas da Capital e ficavam rodando para aumentar a quilometragem; Falei para seguir ruas e avenidas que tinham me falado como se já conhecesse e pelo valor que me cobrou, achei que não fui enganado; Na primeira semana fiquei hospedado na casa da minha tia Keiko ,e logo que comecei trabalhar mudei para uma pensão na rua da Liberdade.

NOVA ETAPA.
Aqui começa uma nova etapa da minha vida; No início era praticamente trabalhar ,trabalhar e trabalhar; Teve muitos momentos em que tive muita vontade de voltar devido a falta de relacionamento de amigos que sempre tive, e aqui uma vida muito solitária; Somente aos poucos fui me adaptando, fazendo alguns contatos com quem já estava morando aqui , mas achava tudo muito difícil pelas distâncias, pois no interior agente encontrava com o pessoal todos os dias; Vou tentar colocar aqui, em três ambientes , simultaneamente , uma longa fase da minha vida que , se antes pensava ter sido gratificante , nem imaginava o que estaria por vir.

BARRA
No início foi "barra" morar em São Paulo; A pensão era horrível, quarto mal cheiroso, dividindo com desconhecido, comida ruim; Seguindo orientação do meu amigo Jorge, no primeiro dia de trabalho acordei cedo, ainda escuro, fui até o ponto na Pça Clóvis onde o ônibus da firma chamado "papa fila" de tão grande que era,  passaria e quando chegou , fui entrar, quando levei uma cotovelada e um empurrão ; Aí percebi que estava cortando uma fila enorme que não tinha visto ,pois ainda era de madrugada; Este e outros acontecimentos semelhantes que aconteceram no inicio , me fez questionar a vinda para São Paulo e lembrar do interior com muita saudade. Depois de vários anos , ainda continuei indo à Marília todas as vezes que tinha eleição , pois não tinha transferido o titulo justamente para ir e matar saudade.


Passados quase um mês , fui visitar o meu amigo Akito que morava na região do Mercado Municipal; Lá encontrei-o morando num quarto de apartamento alugado de uma senhora japonesa e por sorte minha, com vaga, e me convidou para ficarmos juntos ; Era o que mais precisava naquele momento , porque não suportava  mais continuar na pensão e me mudei no dia seguinte mesmo tendo já pago o mês; No outro quarto moravam dois rapazes de Pompeia que se chamavam Toyoshiko e Seigo, que estavam em São Paulo para concluírem o científico e prestarem vestibular.


No primeiro sábado que não fui trabalhar de hora extra, procurei uma lanchonete que servia almoço , e não sabendo o que pedir, vi pessoas pedindo dobradinha e fiz o mesmo sem conhecer; Quando puseram a cumbuca na minha frente , vi que era feito de feijão branco e bucha de boi que me fez sentir náusea ; Paguei e fui à um restaurante comer o que conhecia; O Akito tinha amigos que se reuniam numa farmácia chamada Fuji e lá tinha funcionários que freqüentavam um clube que falarei adiante . ( Um dos funcionário era o meu amigo de Marília chamado Odilon )


No trabalho era tudo muito estranho , acostumado com um ambiente e trabalho muito favorável, pois praticamente dominava tudo, e agora tinha que prestar muita atenção para não cometer erros e era cada um para si; O meu chefe ,Müller, era muito paciente e deixava que eu perguntasse muitas coisas triviais, porque os outros , ou davam respostas por cima ou simplesmente ignoravam e me fazia sentir revirar o estômago. Todo trabalho era executado sob desenho e depois de formado no SENAI , na oficina , tudo era feito conforme  amostra gastas ou quebradas e não tinha praticado trabalhar tudo sob desenho técnico.

SENTINDO MELHOR
Morando agora num quarto de apartamento e ambiente familiar , me senti muito melhor; O Akito me levava para conhecer lugares e amigos dele o que me aliviava da sensação de solidão;Uma noite choveu muito , e quando acordei ouvi barulho de água ocasionado por caminhão na rua e fui ver na sacada; Toda região do mercado estava coberto de água e depois vim saber que era comum acontecer; Muito devagar , fui me acostumando e conheci um clube de nisseis chamado Heibon,  próximo ao mercado central ; Gostei do ambiente e comecei frequentar jogando tênis de mesa que gostava muito.


Frequentei Heibon por muitos anos, que tinha uma sede pequena , mas promovia muito bailes , pic-nics e participava em torneios de tênis de mesa em muitas cidades além de São Paulo; Uma vez alugamos uma composição inteira de trem e promovemos um pic nic de quatrocentas pessoas em que levei os primos Yukio, Marina e Milton que tinham vindo morar em São Caetano pouco tempo depois de mim. Sempre que encontramos, nas conversas ainda é lembrado desse pic-nic.


WILLYS & FORD
Enquanto isso na firma que vou chamar de Willys daqui para frente, e depois de Ford , não estava fácil para mim trabalhar; Estava no meio de italianos, espanhóis , gregos e outros estrangeiros que já vieram com experiência e de outros que tinham passados por escolas como o Liceu, Getúlio Vargas e Federal; Quando  cometia erro me dava nó na garganta , revirava estômago, me deixava mal por bastante tempo; Mas, sempre tem o 'mas", e eu não era de repetir o mesmo tipo de erro e sempre fui bom observador ,e  fui aprendendo e melhorando cada vez mais, enquanto que os demais já se achavam no limite do conhecimento , eu tinha muita" estrada" pela frente. Teve um rapaz que me ajudou muito, e que , depois se tornaria um grande amigo chamado João Ascêncio Haro: 


Passados mais ou menos dois anos , dominava todo tipo de maquinas, e desenho técnico não eram mais segredo ;Como tinha habilidade manual trabalhei como ferramenteiro por um ano , quando fui promovido para o cargo de lider do pessoal de máquinas, aqueles que citei no parágrafo anterior; Houve tentativas de boicotes, ouvia alguns deles dizendo que quando eu não era nem nascido eles já conheciam o trabalho, mas aos poucos fui me impondo  e sem maiores questionamentos  tiveram que me aceitar..


Nessa época, em 1961, a minha família já estava morando em São Caetano , o que irei contar mais para frente, e um dia o meu Avô pediu para o meu tio Taketo , marido da tia Keiko leva-lo para conhecer a Willys e me ver trabalhando ; Como disse no início do meu blog, ele foi dirigente de uma indústria muito grande no Japão antes de imigrar para o Brasil; Levei eles para conhecer a ferramentaria que eu trabalhava e toda a fabrica, e se mostrou muito satisfeito em me ver lá;

ATAQUE FULMINANTE
Em menos de um ano , o meu Avô que tinha pressão alta,e já tinha tido ataque no coração , faleceu à caminho de um casamento da filha do irmão mais velho do Taketo-san; O tio Okinisan estava acompanhando-o quando o Avô começou sentir mal na Av. Domingo de Morais , desceram do ônibus e entraram numa clinica médica, mas não foi possível salva-lo, o ataque foi fulminante.

PREFERÊNCIAS
Apesar de eu ter tido convivência com o meu Avô enquanto morei junto até os meus 13 anos, hoje vejo o quanto me influenciou , seja no modo de ser intransigente , na necessidade de ser pontual , na postura , e em outros princípios muito rígidos; Quando fugi de casa pensei, agora estou livre para fazer o que eu quiser e ninguém irá me impedir; Porém uma vez livre , não tive nenhum interesse e nem aconteceu o que se imaginava poder fazer; Muitas coisas que eu me opunha , como ter que ser "nihonjin", preferindo ser como "gaijin", e gostar de ter mais amizades com gaijns tanto meninos como meninas, na medida em que ia me tornando adulto , via que meus sentimentos iam retornando às origens. Hoje me é possível ver que existem o lado bom e o lado ruim em ambas as culturas.

SEPARAÇÃO
Enquanto eu levava a minha vida em Marília e depois em São Paulo, estava muito desligado da minha família e achava que estaria indo tudo muito bem; Um dia , ainda vivo, o meu Avô estava de visita na casa do Taketo-san e me chamou para ir conversar com ele; Disse-me que estava fechando a loja, dividindo os bens e mercadoria e que ele estaria separando a minha parte; Apesar de surpreso com tudo que ele me dizia , independente de direito ou não , achei que eu não tinha que tomar parte nessa divisão e dispensei na hora; Depois vim saber que o movimento da loja tinha caído muito e resolveram dissolver a sociedade , porém na divisão dos bens o que coube a cada parte foi muito pequeno. Invariavelmente nessas circunstâncias surgem discussões e ressentimentos , mas eu estava fora e pouco soube .


Ao fechar a loja em Parapuã , a família que sempre esteve unida desde a vinda do Japão, se dissolveu e cada tio com a sua família foram  morar em cidade que achou ser mais conveniente na ocasião; Seguindo a tradição , os meus Avós foram morar com o tio mais velho, tio Keiti , em São Caetano do Sul , o segundo tio, o tio Kiyoshi , foi morar em Mogí das Cruzes e o terceiro tio, o tio Takeshi  foi para cidade de Piracicaba; Penso que devido ao modo como o meu Avô sempre conduziu os interesses familiares , de modo autoritário e direcionado para um só filho ,Kiyoshi, ocasionou desinteresse e acomodação aos demais , e principalmente total falta de conhecimento administrativo de comércio e de eventual emprego. Visto de fora, imagino que isso tenha levado às duas famílias , do tio Keiti  e do tio Takeshi, a uma dificuldade de sobrevivência enorme , agravados pela existência de filhos pequenos ,enquanto que para o outro tio, Kiyoshi, se houve dificuldade imagino que deve ter sido bem menor comparativamente.
MOTOCICLETA
O meu trabalho na Willys naquela altura tinha melhorado muito e meus superiores gostavam muito de mim; Como tinha aprendido operar em qualquer maquina , me convocavam para trabalhar em extra todas as semanas, além de todos os dias ficar até a noite; Com isso o meu hollerit (pagamento) vinha dobrado e não tinha como gastar porque almoçava e jantava na fabrica. Incentivado por um chefe italiano que gostava de moto , comprei uma moto importado da marca JAWA zero na loja Pirani ; As andanças de moto para todos os cantos que ia, irei contando pouco a pouco .Ainda nessa época , com o dinheiro das horas extras comprei uma casinha que o dono do apartamento onde morava tinha construído em Eldorado na zona sul e o próprio vendedor, um senhor japonês , me propôs de alugar para um inquilino: Depois de um ano achei melhor vender e comprar um apartamento em lançamento , o que acabei fazendo.

CIRCULO NOVAMENTE
Mesmo trabalhando muito, e frequentando o clube Heibom nas folgas , fiquei sabendo que um grupo de jovens nisseis de V. Mariana liderado pela família Harata tinham fundado um Circulo Católico Estrela da Manhã; Fui conhecer e falei que em Marília tinha pertencido num, e assim fiz amizades e comparecia em reuniões sempre que podia; Mais ou menos nessa época , o meu amigo Pedro Tojito que tinha vindo de Marília também, resolveu fundar outro Circulo na V. Prudente e convidou mariliénses circulistas participarem, incluindo eu; Aí aconteceu de alguém que não me lembro, me convidar para tomar parte de um grupo de rapazes vindos de Pres. Prudente que estavam alugando um apartamento e que tinha uma vaga; Maioria eram circulistas e iriam fundar um que chamaria Frei Bonifácio e usariam uma sala junto à capela do Largo São Francisco.


Com o convite me mudei para a república da Rua Tabatinguera e pela localização e grupo , optei em ficar no Frei Bonifácio; Mas pelas amizades continuei frequentando também o de V, Mariana e do V. Prudente; Como nos Círculos as reuniões eram aos domingos , podia frequentar o clube Heibom nas noites de semana;


Na república , éramos em oito sendo eu, Francisco, Nelson, Kenji, Shumio, Nariaki, Paulino e o Pedro, e nem todos eram circulistas, maioria vindos de Presidente Prudente e era local de encontros de muita gente, inclusive os fila boias; Todos eram estudantes menos eu; Maioria tinha emprego de subsistência, menos eu que na Willys tinha um salário razoável , andava de moto e podia ir aos restaurantes e cinemas ; Tínhamos uma cozinheira e sempre havia os fila boias que vinha na hora certa ; O meu local preferido para jantar aos sábados e domingos era a Santa Teresa que fica na Praça J. Mendes.

AERO WILLYS
A Willys foi pioneira em desenvolver modelos de carros próprio , como a Perua Rural, Aero Willys e Itamaraty que eram carros de luxo na época; Tive a oportunidade de ser escolhido por um gerente geral chamado Mário para executar trabalho de protótipos com prioridade total na ferramentaria; Sob a orientação dele e de vários engenheiros , o que eu precisasse, a ferramentaria toda estava a minha disposição; Nessas condições, trabalhar era muito mais prazeroso para mim que tinha aprendido a gostar de mecânica ;E a cada dois a três meses, quando abria o envelope de pagamento , estava lá o aumento sem que eu tivesse pedido , aliás , o que nunca mais fiz depois da Jacto.

MOTOQUEIROS
Num feriado de semana santa , depois de longo tempo só trabalhando , resolvi descansar , peguei a moto e viajei até Marília à 430 km de de São Paulo; Coinscidentemente um colega de trabalho disse que também viajaria até Marília e não acreditou que eu iria ; Aí marcamos encontrar num local e na hora marcada estávamos tomando
café juntos; Outra passagem com a moto foi quando fui visitar a minha família em São Caetano e já noite convidei o primo Milton para dar um passeio na garupa até São Paulo e me pareceu ter gostado muito ; Um domingo fui até Santos e quando estava na praia , encontrei a Tia Keiko com a família e depois de passarmos um certo tempo , saímos para voltar e o Tio Taketo com Ford V8 não conseguiu me acompanhar na serra devido as curvas e a tia ficou preocupada e disse que era perigoso; Fora essas passagens eu tinha dois colegas do Heibom, o Issamu Tanaka e Jorge Minami que, um tinha uma moto igual e o outro tinha uma Vespa e convidávamos colegas femininos de garupeiras e viajávamos sempre para outras cidades não muito longe . NA FOTO ACIMA, JORGE, EU E ISSAMU EM JUNDIAÍ , A CAMINHO DE ITÚ. NA FOTO ABAIXO , EU E O ISSAMU NA VIA ANCHIETA.

No tênis de mesa eu não era o melhor mas nem o pior e sempre participávamos em torneios de clubes de São Paulo, além de viagens de intercâmbios com associações de outras cidades; Nesse grupo participavam quatro irmãos da família Fujiwara, que eram muito amigos meus e frequentava o apartamento deles na Av. Mercúrio .

PROTÓTIPOS
No início de 1963 , o trabalho de  protótipos de câmbio do Aero Willys  estavam terminados e aprovados ; O Mário tinha comprado a briga porque a outra engenharia que deveria ter desenvolvido o novo cambio tinha falhado e como achou que a nossa tinha possibilidade fez a revelia e deu certo; Em seguida tinha que colocar em produção e para isso mobilizou toda engenharia , ferramentaria e produção e como eu sabia de todos os detalhes não me deram sossego até o final da implantação;


Trabalhei muitas vezes dia e noite , sete dias por semana sem descanso por vários meses ; Cada dia aprendia mais trabalhando junto com vários engenheiros designados pelo Mário; Por fim , depois de muito trabalho a mudança do modelo de caixa de cambio estava terminado e em produção.

PROMOÇÃO
Passado pouco tempo o supervisor me chamou e disse que estava me promovendo para a chefia da Ferramentaria; Não foi tanta surpresa porque tinha me envolvido tanto nos últimos dois anos em trabalhos que davam muita visibilidade ; Porém recusei e ele se espantou porque nunca teria imaginado, e quis saber o por que, pois era um cargo muito cobiçado .Muitos colegas , mesmo aqueles que sabiam que eu não gostava de mandar , por não saber de outra possibilidade que eu tinha, falaram que eu era bobo e que estava deixando passar uma ótima oportunidade. Expliquei ao supervisor que não gostava de mandar , o que era meia verdade e não podia explicar melhor o motivo maior naquela ocasião. O engenheiro Oda que foi a pessoa que mais trabalhamos juntos , tinha dito que me levaria para trabalhar com ele na engenharia em breve.

OPORTUNIDADE II
Como disse anteriormente, sempre gostei de mecânica e ambiente de fabrica , com aquele barulho, gente e cheiro característico que fica até impregnado na pele da gente:  Mas ao ter contato com os engenheiros , projetistas , ambiente de engenharia , e o trabalho envolvente, pensei o quanto seria interessante a junção e aplicação da teoria que os engenheiros conheciam, com a prática e o gosto pela mecânica que eu tinha.


Quando o engenheiro Oda me deu dica de que me levaria para trabalhar na engenharia , vi que surgira uma oportunidade para continuar aprendendo, abrindo mão de promoção para um cargo de chefia na ferramentaria que nunca tive muita afinidade. Não demorou muito , fui realmente transferido e foi mais uma virada de pagina na minha vida; Se tanto profissional como pessoal, a minha vida até naqueles momentos fora de muitas realizações , os acontecimentos posteriores foram de uma riqueza maior , agora acrescida de familiar , o que passarei a contar daqui para frente.




















sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Adolescência - Marília

SÃO PAULO, 01/10/2010.
MARÍLIA , SENAI E TRABALHO

Em Marília aos 16 anos começa nova fase da minha vida que considero que foi de uma felicidade imensa ;Conforme relatei anteriormente, quando estive em Marília a passeio num carnaval, já tinha ficado com vontade de ir morar, e agora estou eu aqui; Marília é uma cidade média que fica a 430 km de São Paulo, na alta Paulista e é muito bonita; O comércio é intenso com boa participação da colônia japonesa ; Fui morar numa pensão indicada pelo SENAI, onde já tinha alunos de outras cidades; A pensão que o SENAI mantinha para seus alunos bolsistas geralmente eram de famílias que tinham quartos vagos e queriam ter uma renda extra e o clima era bem familiar.


Eu me entrosei rapidamente com demais alunos e com a escola que era dirigido pelo diretor Prof. Clóvis
Tolentino ,uma pessoa "fora de série"; O ambiente formado pelos professores, instrutores, auxiliares e alunos era muito bom; O aluno bolsista era quase como internado pois passava a maior parte do tempo entre pensão e a escola sete dias por semana, e qualquer saída tinha que pedir autorização na secretaria; Tinha muitas formas de passar tempo como esportes, jogos e musicas e os bolsistas podiam permanecer à noite até 22 hs, além de sábados que ia das 8 as 13 hs; Eu aprendi a gostar de tênis de mesa e a maior parte do tempo de recreação ficava jogando ;

REALIZADO
Eu me sentia realizado em estar estudando no SENAI; Nunca me dei bem com estudos , como já relatei anteriormente , porém, no SENAI estudar era outra coisa ; Aliás, eu não precisava estudar matéria nenhuma fora da aula e minhas notas eram todas altas ; As aulas de oficina então as notas eram todas máximas; Gostava das horas de recreação à noite que ia das 19 até as 22 hs, três vezes por semana e aos sábados das 8hs até as 14 hs, em que me divertia jogando tênis de mesa, mas tinha mais vontade de ficar operando tornos ; Um dia eu vi chegando muitas peças de ferro fundidos e perguntei ao meu instrutor Vicentin o que eram aquilo, e a resposta foi que eram componentes de morsas usadas em bancadas de marcenaria que seriam usinadas na escola e seriam enviadas para uma escola que o SENAI  iria abrir em Rondônia; O meu instrutor me mostrou os desenhos e perguntei como seriam feitos .       ACIMA, FOTOS INTERNOS DO
                                                                                                           SENAI.


Passados alguns dias, me veio a idéia de querer eu a fazer o trabalho nas morsas ; Falei ao meu instrutor Vicentim que queria trabalhar no horário de recreação, e então falou com diretor que a princípio não foi à favor , dizendo que à noite não havia expediente e nenhum instrutor para me acompanhar ; Nessa época tanto os instrutores como o diretor já me conheciam como bom aluno e com a minha insistência abriram uma exceção permitindo-me .


Ainda não tinha conhecimento e nem experiência para iniciar sozinho o trabalho e durante o dia o meu instrutor me orientava , pois diferenciava das peças de aulas práticas ; Sozinho à noite na oficina que tinha visto primeira vez da rua, alunos mexendo em maquinas e que ficara deslumbrado ,agora estava eu me realizando.


Todos os alunos , bolsistas e não bolsistas , se divertindo à noite jogando tênis de mesa, basquete, ouvindo musicas e eu preferia ficar treinando na oficina; Ficar operando um torno para mim era mais prazeroso do que qualquer outra atividade que a escola oferecia, com exceção de uma noite por semana que podíamos ir ao cinema;

PREMIO
Gostava de operar máquinas , mas me dava bem também como ajustador que exigia habilidade com ferramentas manuais; Nas provas do ultimo ano de oficina , tirei notas máximas que ainda não tinham sido tiradas, e as peças foram enviadas para SENAI  Roberto Simonsen  em  São Paulo para exposição, e ganhei de prêmio uma conta poupança na Caixa Econômica que equivaleria hoje mais ou menos $ 100,00 .(guardo até hoje a caderneta e as peças que me devolveram);

AMIZADES
Das amizades que formei no SENAI  , ainda hoje mantenho contato com três deles que são o Pedro , Odilon , e o Makoto; O curso do SENAI era de 6 meses na escola e 6 meses de estágio em firmas , porém não me lembro o que argumentei mas no fim do primeiro semestre pedi ao diretor que me deixasse fazer seguidos o primeiro e o segundo semestre , o que ele concordou; Assim passei um ano estudando mecânica que não imaginava que iria gostar tanto;


Retornando um pouco no tempo, costumava ir visitar a minha família umas duas vezes ao ano, e passado um ano ou um pouco mais depois de ter saído de casa o meu tio Takeshi casou-se com a Yoko-san que morava em Osvaldo Cruz , cidade vizinha de Parapuã; A loja ia muito bem e a família decidiu ampliar. construindo um prédio bem maior num terreiro em frente ; E família aumentando com os nascimentos da Hiroko, da Geni, da Helena, do Edson, e do Nelson .

ESTÀGIO
No SENAI , depois de ter emendado dois semestres, era a vez de eu sair para estágio ; Muitos não conseguiam encontrar e ficavam sem fazer nada todo semestre, outros iam procurar algum trabalho, e os que eram bolsistas iam para suas cidades ;Eu não tinha para onde ir e a escola pagava a pensão só no período de aulas , ma isso não era problema pois tinha poupança e podia continuar ; No decorrer do segundo semestre, pensava à respeito do estágio e fiquei sabendo através de alunos de outras turmas que tinha uma oficina mecânica que era considerada muito boa, mas não aceitava alunos do SENAI; No primeiro dia do período de estágio me apresentei nessa oficina, que tinha vaga para torneiro , mas não disse que era aluno do SENAI e aí me indicaram um dos tornos e falaram o que eu devia fazer para o teste; Foi um teste simples mas com " pegadinhas " que na escola não se ensina, mas aí percebi o quanto valeu o trabalho extra que fiz na escola e as conversas que tivera  com instrutores que me tratavam mais como amigo do que como aluno.

OFICINA PARA ESTÀGIO
A oficina era da família Stuanni, e trabalhavam o pai e mais três filhos ; Lembro que na hora do teste eles ficavam observando o candidato de maneira a provocar insegurança e a erros; Fiz o teste, "mostrei" o que eles tinham visto como fiz, e em seguida me deram o que fazer já como aprovado sem falar nada , o que me deixou em duvida por um momento; Estava tão entretido no que tinha a fazer que somente depois do expediente é que as minhas fichas começaram a cair e aí não sabia se ria ou chorava ; Mais tarde , já bem entrosado com os meus patrões fiquei sabendo que a maioria dos candidatos ou desistiam no teste ou mesmo que tinham sido aprovado , não voltavam mais no período da tarde. A oficina com o pai e os filhos tinham muita experiência e aceitavam executar serviços complicados que traziam de toda toda a região  FOTO AO LADO, JÁ COMO TORNEIRO MECÂNICO..


À noite fui até a escola contar para todo mundo o que tinha acontecido, e todos ficaram admirados, inclusive o diretor que por saber que essa oficina não gostava de alunos do Senai, ficava muito" sentido "e queriam saber em detalhes como eu tinha conseguido. Falei que alunos quando chegavam nas oficinas diziam ser do SENAI ,dando a entender que sabiam tudo , mas na verdade não tinham prática nenhuma, e as oficinas não queriam saber de ter que ensinar a pratica.

APRENDENDO RÁPIDO
A vontade de aprender e a curiosidade era tanta que fui aprendendo rapidamente tudo que se fazia naquela oficina ; Cada dia aparecia serviço diferente e tinha que" quebrar a cabeça "para executar ; Na medida que ia chegando o fim do mês ia aumentando a vontade de saber quanto eles iriam me pagar de salário, e repetindo o que já tinha acontecido no primeiro emprego no armazém, depois que todos receberam , me chamaram e falaram que eu estava indo muito bem e disseram que iriam me pagar salário mínimo de maior; Naquela época o salário mínimo tinha sido instituído pelo Getúlio e era suficiente para uma pessoa sustentar uma família tranquilamente; Na volta para a pensão quem me viu na rua deve ter pensado que não estava regulando bem da cabeça pois ia saltitando e cantarolando como um bobo de tanta satisfação que sentia ;E o semestre foi passando rapidamente e tinha que voltar para terminar o último semestre do curso.


Esperei até o ultimo dia para avisar que teria que voltar para o SENAI terminar o curso; Ficaram muito surpresos e perguntaram porque não tinha dito antes ,e aí expliquei o motivo ; Não gostaram muito e tentaram me convencer que não precisava do SENAI porque ali aprendia muito mais, mas eu não tinha dúvida em voltar e terminar o curso; Argumentei que em 6 meses poderia voltar se eles quisessem , e aí falaram para mim pedir ao diretor que retardasse o meu retorno por uns 20 dias , o que o diretor concordou satisfeito ; Nesses 20 dias tiveram a idéia de me propor a continuar trabalhando à noite e logo que terminasse a aula iria até a oficina executar trabalho que passariam para mim, e ficar até a hora que eu quisesse. (aguentasse) Imagina que eu tinha 16 anos, hoje impossível.

TÉRMINO DO CURSO
Logicamente contei ao diretor que ficou admirado e preocupado por ser à noite e ser de menor , mas naquela época não existia violência de hoje e nem restrições ao trabalho de menor, e me liberou; Passei o semestre na escola de dia e a noite na oficina que ia até mais ou menos meia noite; Estudar e trabalhar, mesmo de noite era diversão, de tanto que gostava e assim terminei o curso e a festa de formatura foi maravilhosa. AO LADO , A MINHA FORMATURA NO SENAI., 1956.


Enquanto maioria dos formandos pensavam em procurar emprego , no dia seguinte da minha formatura estava trabalhando de volta na oficina dos Stuanni; Continuei trabalhando e aprendendo muita coisa:   Um dia trouxeram um pistão enorme de um motor diesel quebrado e percebi que o patrão aceitou em fazer um novo; Não conhecia detalhes técnicos de um pistão , mas sabia que não seria simples ,ainda mais daquele tamanho;Nesse trabalho vi realmente que eles tinham mais experiência do que pensava; Participei da elaboração e quando ficou pronto , o Pai disse para mim que pegasse o pistão e fosse até a cidade de Garça, pegasse um avião e levasse até a cidade de Dracena,onde os mecânicos esperavam para montar no motor que virava o gerador que abastecia eletricidade para toda cidade; Fazia muitos dias que a cidade estava no escuro e a população estava reclamando com o prefeito; Quando cheguei ( nunca tinha voado de avião e foi um fato inimaginável ) à noite, o povo ficou sabendo que estávamos lá para fazer o conserto e depois de dois dias ,a cidade voltou a ter eletricidade,e nos tratou como heróis.


Eu já era considerado da família e os Stuannis me tratavam muito bem ; continuei morando na pensão que o SENAI tinha me indicado, frequentando a escola nos horários de recreação, e os instrutores e os professores agora eram meus amigos.

CIRCULO CATÓLICO ESTRELA DA MANHÃ
Periodicamente ia visitar a minha família ,mas as amizades que tinha deixado em Parapuã ia se apagando, e formando novos em Marília; Foi quando recebi convite de um deles para conhecer uma associação chamada Circulo Estrela da Manhã , formados por jovens católicos, originário de um grupo de Baurú; Na primeira reunião que participei numa tarde de domingo , achei o grupo muito bom , gostei e comecei a frequentar; Era uma associação católica , mas bastante informal, promovia atividades sociais como intercâmbios, esportes, viagens, além de atividades religiosa como frequentar missas e rezas ; Havia mistura de nisseis e brasileiros com mais nisseis.


Na medida em que ia participando de todas as atividades na Estrela da Manhã, foi evidenciando a questão de eu não ter sido batizado ainda; Acho que quando morei em Pompeia com família Ceschin , muito católica, que queria me ver batizado , deve ter ficado alguma coisa na minha cabeça , e agora com um ambiente bastante propicio , fui batizado tendo como padrinho um amigo fotógrafo chamado Henrique e como madrinha uma amiga chamada Mary da associação, com o nome de Julio que eu mesmo escolhi.


Numa das visitas que fiz à minha familia , o primo Yukio que tinha 10 anos quis vir passar uns dias comigo em Marília e ficou na pensão ; Tinha combinado com o meu Avô que ele voltaria sozinho de trem com dia e hora marcado para chegar em Parapuã; Aconteceu de o garoto não querer ir embora de forma nenhuma, e de tanto insistir acabei deixando ;O meu Avô ficou aguardando o trem e nada do neto, correu os vagões e nada e não entendia o que poderia ter acontecido ;A partir daí ele ia esperar todos os trens que ia de Marília, até que passados uns dois dias fiz o garoto embarcar à força porque não queria.

VIDA BOA
A minha vida estava como tinha almejado , trabalhando no que gostava muito, ganhando bem, muitos amigos , numa cidade grande ; Duas vezes por semana íamos ao cinema com os amigos do Circulo e aos domingos depois da seção de cinema, juntávamos em turma e íamos ao lanchonete Brasserie da avenida Sampaio Vidal. Periodicamente o Circulo promovia encontros religiosos , sociais e esportivos com demais Círculos de outras cidades, além de eventos na própria sede ; Estávamos sempre em turma e como não poderia deixar de acontecer , surgiam namoros e até casamentos.


Ano 1958 , ano da Copa do Mundo, e eu era o único pensionista que tinha rádio no quarto; Jogos de semana , ouvia no rádio da oficina, e dos fim de semana todo mundo no meu quarto para ouvir o jogo ; Quando o Brasil jogou na final contra  a Suécia  e foi campeão, lotou o meu quarto e tinha gente na janela ouvindo; Foi uma gritaria e a farra continuou até à noite;


Passado cerca de um ano, veio um colega, Jorge Sato, ex-aluno do SENAI, que tinha ido trabalhar em São Paulo, e começou a nos contar como era trabalhar e viver lá; Todos nos , curioso queríamos ouvir ele falar de São Paulo , se era bom, e quanto ganhava de salário: Quando disse quanto era,  ficamos espantados pela diferença em relação ao que ganhávamos e  enchemos mais de perguntas; Tinha ouvido comentários de como era morar e trabalhar em São Paulo e antes de ir embora ele nos deixou convite para que se algum  de nos fôssemos , procurasse ele na pensão onde ele estava morando; Eu que estava satisfeito com o meu emprego , mesmo assim fiquei interessado e guardei o endereço dele;


Depois de passado uns meses, um amigo instrutor do Senai chamado Watanabe me falou que iria a São Jose dos Campos e que antes passaria por São Paulo e se gostaria de eu ir com ele; Lembrei do meu amigo chamado Jorge que tinha me deixado o endereço em São Paulo e topei de ir com ele ; Pedi ao Stuanni duas semanas de férias e lá fomos nós à São Paulo onde a minha tia Keiko morava; O meu amigo Watanabe pernoitou também na casa da tia e no dia seguinte seguiu para São José e eu fui procurar o meu amigo Jorge na pensão que ficava na Pça São Paulo.


Eu já tinha vindo à São Paulo uma vez à passeio sozinho , e apesar de ser menor , naquela época não havia nenhum controle e fui aos cinemas, viajei para Santos conhecer o mar e fiquei admirado com Rodovia Anchieta ; Fiquei hospedado na casa do Sunohara-san família da minha tia Keiko; No interior era comum ouvir comentários de pessoas que tinham vindo à São Paulo e ter se perdido e ter também caído no conto do vigário ou ter sido assaltado ao chegar na estação ferroviário; Sabendo desses fatos tomei os devidos cuidados e realmente percebi tentativas em cima de mim, porém , estava protegido.


Depois de um tempo papeando, o Jorge me disse que estava na hora de ir para o trabalho e me convidou a ir com ele e conhecer a Willys Overland onde ele trabalhava: A surpresa começou já no ponto de ônibus quando o Jorge me disse que iríamos num ônibus da  firma que ele trabalhava; Tudo era novidade para mim e depois de esperar alguns minutos na Pça. João Mendes, em frente de onde existia Expresso Brasileiro , chegou um ônibus Mercedes escrito Willys e em  40 minutos o ônibus adentrou numa fabrica enorme; Antes de me levar para conhecer a fábrica , fomos almoçar num restaurante do tamanho que ainda não tinha visto, cheio de funcionários vestido de macacão e reparei que não precisei pagar por ser visitante.

O INESPERADO.
Começamos andar pela fabrica, e a cada seção parávamos para conversar com o encarregado porque o meu amigo era muito conhecido; Achava a fabrica muito grande , com máquinas enormes e esquisitas que nunca tinha imaginado que existisse, cada uma com operador ,e aí comecei a perceber que o que eu conhecia de mecânica e máquinas não era nada; Depois de visitar muitas seções inclusive na que ele trabalhava , paramos numa que chamava ferramentaria, em que o encarregado que parecia alemão , chamado Müller me cumprimentou e começou puxar conversa e me perguntou o que eu fazia; Disse a ele que trabalhava numa oficina mecânica em Marília e aí ele apontou para uma três ou quatro máquinas e perguntou se conhecia, e diante da minha afirmação disse que eu iria trabalhar com ele : disse quanto seria o salário em horas que eu demorei para entender, me pegou pelo braço,me conduziu até o departamento pessoal ,que ficava longe , chamou um funcionário nissei chamado Luiz, e disse a ele que queria me ver trabalhando na semana seguinte na seção dele ; Despediu e foi embora enquanto o Luiz me passou uma lista de documentos que deveria providenciar; Pedi que me explicasse como poderia chegar no salário mensal, e quando percebi que com um pouco de horas extras nos sábados triplicava sobre o que ganhava em Marília.


Foi tudo tão inesperado , não tinha passado nem um dia, fui conversar com o Jorge que já estava trabalhando no turno dele ,e ele começou a rir, e eu fiquei perdido ;E agora pensei, vim com propósito de passar duas semanas de férias , conhecer São Paulo, nem imaginava em arrumar emprego ; Mas tudo que eu tinha visto até aquele momento tinha me impressionado muito e senti  que seria muito bom; Chegando à casa da minha tia , contei o que tinha acontecido e que estava voltando para Marília e estaria de volta para trabalhar na Willys na semana seguinte e moraria numa pensão na Liberdade ; O tio Taketo ainda tentou me persuadir dizendo que eu era muito novo para morar em São Paulo sozinho, mas não dei ouvido; Na mesma noite peguei o trem da Companhia Paulista e de manhã estava na oficina dos Stuanni pedindo a conta; Não gostaram  por ter sido de  "supetão" , mas eu tinha uma atenuância; Tempos atrás tinha levado o meu amigo Makoto que trabalhava em uma oficina que pagava pouco a trabalhar comigo; Sabia que ele daria conta ,e os Stuanni aceitaram-no e ia muito bem e gostavam dele; isso me facilitou por não deixar totalmente na mão e me liberaram .


Mais uma página virada que me deixaria muita saudade.